E se fosse acordasse, abrisse o jornal e lesse: " A sexta- feira acabou - O dia mais esperado da semana é extinto por comissão internacional." Seu mundo cairia?
Não sei o seu, mas o meu certamente iria. Sexta-feira tem outro espírito. Eu abro o olho, quando acordo e penso "Hoje é sexta. Levanta!" e meu corpo obedece. Se é qualquer outro dia útil, certamente minha pálpebra luta para reagir. E nem preciso comentar a dificuldade de levantar da cama, o "mais cinco minutinhos" faz parte da rotina de qualquer dia. Menos na sexta. A sexta é diferente... tudo parece mais feliz, mais esperançoso, o cansaço até some. Não é difícil encontrar um pessoa que sorria para você de manhã cedo ou que te deseje "Bom Dia!". E mesmo que você não esteja no clima de sexta você pensa "pelo menos hoje é sexta" e as coisas até parecem melhores.
Mas se esse dia não existisse mais? Como seria?
Abrir o jornal, e no espaço onde fica escrito o dia, um espaço em branco. Ir para a faculdade, para o trabalho sem aquela energia gostosa. E aquele transito infernal na ponte Rio-Niteroi que se intensifica as sextas?! As pessoas entrariam quase em uma guerra civil, pois nada mais daquela vontade louca de ir para casa teria sentido. A sexta não existe mais...
A correia e a fila quilometrica às seis horas da tarde nas Barcas também não teria mais significado. Aquela fila para embarcar, que mais parece uma boiada indo para o abate, seria ainda mais deprimente e até motivo para suicídios em massa.
A propaganda da Bávaria teria agora um silêncio, um luto. " Hoje é ... dia de cerveja" entoaria o jingle.
As rodas de amigos nos bares seriam quase uma seção de terapia. Todos levariam seus respectivos lencinho de papel e, em homenagem ao dia que se foi, a cerveja estupidamente gelada seria banida de todas as mesas.
Se você também está tendo uma segunda-feira tão desanimada, quanto a minha... Pense...
A sexta poderia não existir.